CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

23 de outubro de 2017

BR 319 MANAUS-PORTO VELHO

Os Braga mencionados são o pai (Carlos) e tio (João)
do senador Eduardo Braga
Próximo de completar 50 anos, reproduzo a entrevista do falecido coronel EB Aluísio Weber, então comandante do 5º BEC, sediado em Porto Velho (RO), falando da iniciativa do Governo Militar em construir rodovias na Amazônia. 

Entre outras rodovias, comentou sobre a BR 319, de nosso interesse, que chegou a ser pavimentada e utilizada. As querelas de controle do meio ambiente e de outras pragas administrativas, todavia, impedem a capital amazonense de se ligar com o Brasil.

O noticiário mencionado circulou na edição de O Jornal (23 outubro 1969).



Pouco antes de retornar a Porto Velho, levando uma equipe de repórteres da TV francesa, para ampla reportagem sobre a estrada Madeira-Mamoré — o coronel Aluísio Weber, comandante do 5° Batalhão de Engenharia e Construções [BEC], ontem no Hotel Amazonas, manteve contato com a reportagem dos nossos DIÁRIOS, fazendo novas considerações a respeito da missão de que está incumbido, qual seja, a construção de três rodovias, de notável importância para a integração rodoviária do Amazonas ao Brasil.
Previstas pelo Plano Nacional, com empréstimo do BID, as três rodovias, resultante do desmembramento da antiga BR 29, são: a BR 364, ligando Cuiabá a Porto Velho, cuja consolidação está faltando; a BR 319 entre Porto Velho-Abunã; e, BR 26, de Abunã a Rio Branco-Feijó, a qual o cel. Weber considera "a forma de integração ao Acre".

Disse que quase três mil quilômetros de estrada já foram parcialmente vencidos, com 1.500 deles implantados, entre Cuiabá-Porto Velho.

O BEC — continua o coronel Weber — realizou 1.992 kms de plataforma, tendo sido um mesmo trecho patrolado mais de uma vez; encascalhou 300 kms de estradas e construiu cerca de 600 metros de bueiros "Armco", acrescentando que o tempo de realização efetiva dessas obras está em função dos recursos que as mesmas vierem a obter, frisando, mais adiante, o entusiasmo do marechal Costa e Silva pela integração do Amazonas, particularmente.

Ontem mesmo, o coronel Weber avistou-se com o governador Arthur Reis, definindo-o como "homem de ideias avançadas". O coronel acredita que, através do convênio DNER-Deram, a ligação Manaus-Porto Velho virá "dar ao Amazonas a integração de que tanto precisa".


Finalizando, revelou o coronel Weber, que o Batalhão está em fase de recebimento de equipamentos, inclusive aguardando, pela "Comarsa", o envio de dez possantes máquinas, para reforçar as obras na próxima estação chuvosa, reafirmando ser partidário e entusiasta da integração do nosso [?] ao resto do país.

21 de outubro de 2017

POESIA DE JORNAIS (IV)

Ontem foi o Dia do Poeta, todavia deixei para hoje registrar minha homenagem aos homens e mulheres que tornam em rimas tanto nossos sucessos quanto nossas dores. Enfim, produzem uma arte de difícil execução. Certo que muitos a desafiam, contudo, o resultado nem sempre satisfaz.

Dessa maneira, ilustro esta postagem com o trabalho de dois poetas, desconhecidos: Aldévio Praia e Osório Honda, os quais nos idos de 1950 publicaram em jornais da cidade seus devaneios. Nada sei deles. Seus trabalhos estão dispersos nos periódicos arquivados. Apenas do primeiro sei que foi deputado estadual.




Recorte do Jornal do Commercio, 11 janeiro 1955



Reminiscências

Aldévio Praia



Era de tarde, quando o sol morria
E a branca neve embalsamava os ares,
Que a morna brisa, perto a ti, dizia:
"O ocaso é lindo como os teus olhares".

Longa tarde de amor. A cotovia,
Limpando os castiçais de seus altares,
Cobria as franjas do céu com a poesia
Que a solidão desenha nos palmares.

...Por fim te foste. E mais, hoje, não vejo
Teu doce olhar que a tempestade acalma;
E penso, à tarde, quando o ver desejo:

Que quer meu estro, enfim, à esta hora triste?
Serão teus olhos que ele sente n'alma
Ou os lábios teus após que tu partiste?!


Vide O Jornal, 30 maio 1965



Na Baía do Rio Negro

Osório Honda
(do Amazon Garden) 30-1-1956


Na fadiga da "correnteza da humanidade"
Sentei-me no cais da Manáos Harbour
Para tomar um cunho de vaidade
Que faz a alma do homem ressuscitar

Donde tu vens
Sonho longínquo do Cucui?
Como é que tu formaste
Do negro suco do açaí?

Ouço a emoção da tua poesia
Que me narrando história da terra
Sussurra destino do homem
Como o vento da palmeira que vai e vem.

O amigo Vicente Reis gostava de manga
E o Archer Pinto, de ata,
Só eu sobrevivo no canto da baía
Molhando seus túmulos com poema.

Dou um beijo no teu sorriso
No Sol do jardim da Catedral,
Outro abraço vai no teu choro
Na sombra do Cruzeiro do Sul.



20 de outubro de 2017