CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

13 de dezembro de 2017

SEMANA DA PÁTRIA - 1992

Capa do Programa
A comemoração da Semana da Pátria empregava, em 1992, uma respeitável comissão, que procurava preencher o período com distintas atividades cívicas. Não apenas com os tradicionais desfiles militares e, ao coincidir com a data magna do Amazonas, o escolar. A extensa comissão – 30 membros – desse ano será aqui postada. Estava sob a direção da então Secretaria da Educação, Cultura e Desportos, cujo titular era o professor Origenes Angelitino Martins.

A cada ano eram escolhidas personalidades a nível nacional e regional para as homenagens. Nessa ocasião, a Representante da Mulher Amazonense coube à professora Ritta Haikal; o Vulto Estadual foi o Dr. Paulo Pinto Nery, e o Nacional, jornalista Assis Chateaubriand.

A abertura e o encerramento ocorreram na Praça Heliodoro Balbi, conhecida Praça da Polícia, que abrigou ainda o Show de Bandas Militares, com a participação das Bandas da Polícia Militar, do VII Comando Aéreo Regional e do Comando Militar da Amazônia.

O Amazonas Shopping foi utilizado para a apresentação de bandas escolares e ginástica rítmica, além de local da chegada do Triathlon da Independência. Outro espaço bastante utilizado foi a Praça da Saudade, que proporcionou a exibição de orquestras e corais.

Enfim, tanto o Desfile Escolar, em 5, quanto o Militar, a 7, foi realizado no Centro de Convenções. Convém registrar que essa “parada” militar já havia ocupado a avenida Eduardo Ribeiro, passando para a avenida Djalma Batista. Atualmente realiza-se na Ponta Negra.

A seguir, as razões da escolha da representante da Mulher Amazonense e, ao final, a Comissão Executiva

RITTA DE CÁSSIA DA SILVA HAIKAL

É amazonense, nasceu em 17 de novembro de 1940, filha de José Alves da Silva e Irene Pinto da Silva. Cursou o 1° e 2° graus, no Colégio Santa Dorotéia, formando-se como professora em 1958, estudou também o curso técnico em Contabilidade, concluindo em 1960. É Bacharel em Licenciatura Plena em Língua Portuguesa e suas literaturas; Licenciatura Plena em Língua Inglesa e suas literaturas e Bacharel em Direito, colando grau em 1978 e 1985, pelas Universidades do Pará e Amazonas, respectivamente.

São inúmeras as atividades que tem desempenhado, ressaltando-se os seguintes cargos: professora de Português da Escola de Enfermagem, chefa de Controle de Qualidade da Empresa Norte Editora Ltda., professora de Inglês do Instituto Cultural Brasil Estados Unidos e Colégio Brasileiro de Manaus, professora de Português, Literatura Brasileira, Inglês, Linguística e Estilística da Língua Portuguesa, do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.


Como assessora e consultora tem contribuído com seus conhecimentos da Língua Portuguesa, Inglesa, e Área Jurídica em diversos trabalhos como: revisora de pesquisas do CEAG, secretária do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, secretária da Comissão Estadual de Voluntários Pró-Carente, assessora do Presidente do Tribunal de Contas dos Municípios, revisora e membro da comissão de assessoria do vereador Robério Braga na feitura da Lei Orgânica do Município de Manaus.

É também, membro do Conselho Regional de Contabilidade e do Conselho Consultivo da Associação das Mulheres de Carreira Jurídica do Estado do Amazonas. Tem ministrado inúmeros cursos de Língua Portuguesa e Assessoria Jurídica a professores e técnicos de Instituições do Estado.
Seu trabalho merece destaque na área de teatro estudantil, coordenando essa atividade no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora por 12 anos, ou seja, de 1975 a 1987. Atualmente tem desempenhado com competência e dedicação as seguintes funções: professora de Português para o 2° grau (Seduc), Analista de Contas do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Amazonas, chefa de Gabinete da Secretaria de Estado da Justiça, e advogada militante no Fórum de Manaus.

A professora Ritta tem efetuado relevante trabalho em prol da educação de jovens seja como professora, seja como incentivadora à arte da dramatização, especialmente ao teatro juvenil. Sua contribuição profissional é inestimável e imprescindível à cultura de nosso Estado.

COMISSÃO EXECUTIVA ESTADUAL DA
SEMANA DA
PÁTRIA - 1992
(Representantes e seus respectivos órgãos)

Afonso Celso Brandão Nina - Subsecretaria de Desportos
Maria das Graças Silva - Subsecretaria de Desportos
Maria Hildecy F. da Silva - Subsecretaria de Desportos
Janete Souza Queiroz - Subsecretaria de Desportos
Clair Ferreira da Silva - Subsecretaria de Comunicação
Ângela Maria de Abreu Cavalcante - Imprensa Oficial
Themis Filgueiras P. da Silva - Secretaria da Educação, Cultura e Desportos
Isis Bonfim - Secretaria da Educação, Cultura e Desportos
João Santana Neto - Secretaria da Educação, Cultura e Desportos 
Francisco Orleilson Guimarães, Coronel PM - Casa Militar
Wilson Martins de Araújo, Capitão PM - Casa Militar
Lourdes Buzaglo - Cerimonial do Palácio Rio Negro
Marcelo Dantas - Cerimonial do Palácio Rio Negro
Arlindo dos Santos Porto - Subsecretaria de Comunicação
Raimundo Carlos Daniel Mar, Cel PM - Secretaria de Segurança Pública
Marcos Afonso - Empresa Amazonense de Turismo
Edmilson Rosas - Empresa Amazonense de Turismo
Ignes de Vasconcellos Dias - Liga da Defesa Nacional
Júlio César Moraes Passos - Liga da Defesa Nacional
Carlos Matheus - Subsecretaria de Cultura
Elizeu Rodrigues de Lima - Sindicato das Escolas Particulares
Ivens de Carvalho Carreira, Tenente-Coronel PM - DETRAN
José Carlos Pereira, Tenente-Coronel - Comando Militar da Amazônia
Nelson Calvoso Pinto Homem, Major - Comando Militar da Amazônia 
Hugo Luiz da Silva Galvão, Capitão Aer - VII Comando Aéreo Regional 
Jorge Luiz Índio do Brasil, Tenente - Estação Naval do Rio Negro
João de Souza Pessoa, Capitão PM - Polícia Militar do Amazonas
Rui Gomes - Empresa Municipal de Transportes Urbanos
Ricardo Marrocos - Secretaria Municipal de Educação

Dalmo Salim Belmont - Secretaria Municipal de Serviços e Obras

LUIZ BACELLAR: LEMBRANÇA

Luiz Bacellar, o poeta que abominava tal designação ou título, morreu há cinco anos. Para quase exato: em setembro de 2012. E, segundo se observa, nunca mais se ouviu notícias sobre a Frauta de barro dele. Desse modo, Bacellar morreu.

Luiz Bacellar (1928-2012)
Parece-me coincidência: o desaparecimento da Livraria Valer pouco depois da morte do autor de Sol de feira, onde o mesmo detinha “cadeira” e cantinho cativos, acelerou este esquecimento. Tem mais. De onde também se poderia esperar alguma manifestação, a Academia de Letras não mais se preocupou com os seus mortos. A exemplo de Bacellar, o óbito de Anísio Mello, outro poeta e artista múltiplo, já completou sete anos. Não se registra qualquer manifestação.

Deste modo, ao rebuscar velhos papeis, alcancei este artigo do professor José Seráfico escrito por ocasião da perda do amigo Luiz Bacellar. Cujo lavor, o saudoso poeta Alencar e Silva (em Quadros da Moderna Poesia Amazonense) associava Bacellar “como que à corporação dos artífices auxiliares da Criação”.

Gregoriano canto, que, em precisa
Cadência, vai ecoando em cada peito:
Deixai-nos descansar: tudo está feito.
(Frauta de barro, 1963)

Compartilho o artigo de Seráfico, sacando-o de A Crítica, edição de 11 de setembro de 2012.   




Quem teve a felicidade de conhecer Luís Franco de Sá Bacellar captou a precisão da expressão de um de seus colegas de letras: poetas não morrem, encantam-se. Foi o que aconteceu no último domingo com o jamais suficientemente reverenciado autor de Frauta de barro.  

Era impossível enxergar à primeira vista naquele corpo frágil, a fortaleza dos que trazem consigo a poesia e, como se fosse pouco, acrescentam a ela rara percepção e prática da dignidade em toda sua plenitude. Não bastassem o talento e a entrega à compreensão da arte em suas várias formas de manifestação, a Bacellar ocorria de conduzir-se igualmente com elevado sentido da vida digna. Jamais cortejou os poderosos, antes reservando a para eles a fina ironia, esse atributo próprio dos que têm talento.

Porque a Luís Bacellar coube papel dos mais importantes na história literária do Amazonas e da região, não faltarão homenagens que ele mesmo recusava. Suas exigências não serão respeitadas, porque seu encantamento impedirá que se cumpram as determinações testamentárias que ele se preocupou em deixar registradas.

Importa pouco, eis que, já não estando entre nós, não poderá mais que levar consigo, ligeiro esgar a mover o canto da boca, o corte fino de sua ironia. Falar da poesia de Bacellar torna-se repetitivo. Testemunhos muito mais valiosos, apreciação muito mais acreditada é obra dos que entendem de poesia e poetas.

A este admirador do poeta que preferia ser chamado professor é reservado, sponte mea, o papel de ratificar a admiração e esperar que pelo menos parte de suas disposições em testamento seja finalmente respeitada. Luís Bacellar, a quem jamais poderá ser pago o bem-fazer por Manaus, pelo Amazonas, pela Amazônia, pelo Brasil e pela poesia, tem todo o direito de instalar a barraca de feira sob outros sóis.

10 de dezembro de 2017

MIL E QUINHENTAS POSTAGENS


Os alicerces do meu
trabalho

Alcancei este número, anteontem. Não deve ser grande coisa diante de tantos concorrentes, mas estou exultante, por variados motivos.
Comecei em março de 2010, com a ideia de registrar os trabalhos literários em fase de preparação ou que, já produzidos, pudessem reduzir ou eliminar os arquivos impressos. Assim, grande parte de meu livro – Os Bombeiros do Amazonas, está aqui, espalhado por diversos dias e várias postagens.

Enquanto havia um material pronto, já articulado, a divulgação foi elementar e célere. Isso me deu empolgação, pois servia de contato com os amigos, com os reduzidos leitores. E sempre havia retorno, ainda que infrequente. Além desse contato rareando, novas formas de publicação circulando na Internet fizeram com que me perdesse no caminho.

Ou seja, não soube acompanhar a evolução, apesar das exigências da máquina. Outro motivo, o material publicável escasseou e, desse modo, estive “fora do ar” por vários meses.

Resultado: parei, enquanto rearmava a página. O primeiro “técnico” que busquei, gente do peito, me deixou na mão. Diante do projeto pífio que me apresentou e do longo período de espera, “pulei fora”, tardiamente. Perdi o tempo e o pagamento.

Enfim, alcancei ao profissional – Amaro Junior – que rapidamente me conectou com o mundo da informática, reajustou meu Blog e me incentivou na tarefa. Com o estímulo redobrado, reabri a caminhada em “busca do tempo” parado.

No mesmo período, obtive ajuda do Marcelo Menezes, que me incrementou a publicação de meus livros na Internet. Três deles já se encontram no site Issuu.com, enquanto outros títulos estão sendo preparados.

Com tanto apoio, desde setembro passado venho me dedicando com afinco, esperando dobrar a quantidade de postagens que dias passados alcancei, em tempo recorde.   


Obrigado a você pela atenção, desculpas pelos tropeços.

9 de dezembro de 2017

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS NO SESQUICENTENÁRIO

Capa do panfleto
Quando do sesquicentenário da nossa Independência, festejado em 1972, o Brasil promoveu inúmeras festas e homenagens. Entre tantas, passou por todas as capitais um cortejo conduzindo as cinzas do 1º imperador do Brasil.

Na Semana da Pátria, acentuaram-se os festejos. Para incrementar o desfile em Manaus, a Polícia Militar do Estado distribuiu um panfleto, que reproduzo abaixo, com apontamentos sobre a data festiva e sobre pelejas sangrentas em que se envolveu.

Acredito que o texto pertence ao falecido mestre Mário Ypiranga Monteiro, visto que a iniciativa coube a chefia da Casa Militar, a quem o intelectual estava muito achegado e já havia produzido outros textos. Seja de quem for, há necessidade de alguns reparos, pois foi concretizado com exorbitantes arroubos.

Um deles, assegura que, em 1851, entre a criação da província do Amazonas e sua instalação no ano seguinte, a Guarda Policial dispunha de 1339 guardas! Não há registro sobre tal número, e mais, este efetivo alcançou este número em razão da obrigatoriedade de todos os homens, a partir dos 14 anos, a “pertencer’ (sem ônus) a uma Guarda.

Outra desdita: a PM amazonense lutou ao lado de Plácido de Castro, na conquista do Acre. Não! O governador amazonense Silvério Nery, ainda que interessado na disputa, apenas dispôs uma guarnição Policial e outra Fiscal na fronteira acreana, na região onde hoje evolui a cidade de Boca do Acre.

No entanto, a Legião dos Poetas (voluntários idealistas) seguiu para a região com arma pesada da Força Estadual, cedida por governador. Contudo, foi um fiasco redondo.

Apesar dos pesares, entoa-se no hino policial: No Acre, com batalhas e vitórias...




São 135 anos de existência — de honrada e ufanosa existência! que se somam neste soberbo desfilar dos soldados de Cândido Mariano. São 135 anos de lutas incessantes, — pela ordem, pela paz, pelo bem do povo e da Pátria, — que estão passando, agora, em frente aos nossos olhos orgulhosos, — diante da nossa cívica emoção! — no passo-certo dos homens do heroico batalhão de Canudos!
São 135 anos da Polícia Militar do Amazonas, desfilando em reverência aos 150 anos da Independência do Brasil!

Data de 4 de abril de 1837 a existência da Polícia Militar do Amazonas. Criada com o nome de Guarda Policial, teve, mais tarde, a honrosa atribuição de milícia guarnecedora das nossas fronteiras e dos presídios militares de vários pontos do interior amazonense, além da sua função precípua de zelar pela ordem pública nas seus municipais, vilas e freguesias.

Dois Batalhões compunham, em 1851, a Guarda Policial, que tinha, então um efetivo de 1.339 praças distribuídas pelos diversos lugares da Província.

Elevada à categoria de Batalhão Policial em 1890 e de Regimento Policial em 1897, — foi como Regimento que destacou o seu 1º Batalhão de Infantaria para seguir com destino a Canudos e ali juntar-se às Forças em Operações. Foi em Canudos, dentro da própria cidadela dos jagunços de Antônio Conselheiro, que essa brava Polícia Militar do Amazonas derramou o sangue generoso de seus soldados pela paz e pela ordem da família brasileira. Seu Comandante, o intrépido Coronel Cândido Mariano, — que é a figura máxima, o símbolo do heroísmo e da honradez, do miliciano amazonense, tem o seu Altar na consagração da História do Amazonas.

Esta mesma Polícia Militar do Amazonas lutou no Acre, ao lado de Plácido de Castro, e ajudou a libertar aquele Território da ocupação estrangeira e a reincorporá-lo ao Patrimônio Territorial do Brasil.
Outros feitos gloriosos tem em sua história a Polícia Militar do Amazonas!

Feitos gloriosos e troféus gloriosos! E o mais belo e o mais glorioso desses troféus é aquela velha Bandeira Brasileira que é guardada com orgulho, em seu quartel pelos soldados amazonenses: é a Bandeira que acompanhou a Polícia Militar em Canudos e de lá voltou tinta do sangue dos nossos soldados e esfarrapada pelos impactos das balas inimigas.