CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

20 de novembro de 2017

PRAÇA DA MATRIZ: VEXAME


Compartilho o texto do graduando em História Fábio Pedrosa, pela oportunidade da festa.
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Floriano Peixoto
 
SOBRE A REINAUGURAÇÃO DA PRAÇA DA MATRIZ: OU COMO DETALHES QUASE PASSARAM DESPERCEBIDOS

Depois de 3 ou 4 anos de reformas, a Praça da Matriz, no Centro Histórico de Manaus, foi reinaugurada, com direito a festa com presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas. Tudo muito bonito, uma nova página na trajetória da preservação do Patrimônio Histórico da cidade.
No entanto, um detalhe chamou a atenção do pesquisador Ed Lincon, que entrou em contato comigo.
Vejam esse busto, identificado como sendo de Manuel Luís Osório (1808-1879), o General Osório, político e militar do Império, combatente nos conflitos da Guerra Cisplatina, Revolução Farroupilha, Guerra do Prata e Guerra do Paraguai.
O erro se encontra na figura do homenageado: o busto, na verdade, é o do Marechal Floriano Peixoto (1839-1895), militar e político, vice-presidente de Marechal Deodoro e posteriormente Presidente entre 1891 e 1894.
Essa peça ficava na avenida Floriano Peixoto, sendo retirada do local em 1975 e instalada em uma das laterais da Praça da Matriz.
Parece um detalhe simples, mas necessita ser reparado, pois além de prejudicar a percepção histórica dos que transitam diariamente no local, evidencia como os "especialistas" realizaram um serviço duvidoso. 

Fábio Augusto de C. Pedrosa, com colaboração do pesquisador Ed Lincon  

15 de novembro de 2017

DIÁRIO OFICIAL: ANIVERSÁRIO

A data de hoje é lembrada pela Proclamação da República, aliás o fundamento do feriado nacional. Em nosso Estado, há uma efeméride importante que ensejava, em épocas passadas, edição especial.
Trata-se do Diário Oficial do Estado (DOE), fundado em 1893, durante o governo de Eduardo Ribeiro. Foi inaugurado, e funcionou por longo período, na avenida Sete de Setembro, no endereço depois cedido ao Banco do Estado do Amazonas e que, hoje, abriga uma agência do Bradesco.
Ao deixar a avenida Sete, o DO foi instalado em imóvel na rua Leonardo Malcher. Todavia, a necessidade de progresso levou o Governo a expandir suas instalações para a rua Dr. Machado. Com essa ampliação, o endereço passou para esta artéria, onde se mantém.

Apenas para relembrar parte de seu corpo diretivo em 1956, no governo de Plínio Coelho,  reproduzo trecho do periódico (15 novembro):

Diretor: Jornalista Irisaldo de Albuquerque Godot;
Secretário: Dr. Vivaldo Barros Frota (falecido governador do Estado)
Administrador das oficinas: Jamacy Sena Bentes de Souza (genitor do escritor Marcio Souza, também chefe da oficina do jornal O Trabalhista);
Secretaria: Edenir Nogueira Cajuhy e outras;
Contadoria: Joaquim Tiago dos Santos Neto;
Tesouraria: Beatriz Brasil da Costa;
Almoxarifado:Antonio Mavignier de Lima e outros;
Biblioteca: Luziel Ramos de Araújo e Marina de Lima e Silva;
Expedição e Comunicação: Luiz Felipe Cordeiro de Verçosa (falecido Procurador do Estado); 
Revisão: Cleomenes Rodrigues do Nascimento e mais oito;


   


13 de novembro de 2017

ADRIANÓPOLIS: 1956

Castelinho, logomarca do bairro
Para a história deste bairro, reproduzo uma reportagem circulada em A Crítica (2 agosto 1956). Salientava esta a deficiência de transporte e de infraestrutura das poucas ruas. Para melhor entendimento, esclareço que Manaus estava sob a gerência do prefeito Gilberto Mestrinho e o Estado, do governador Plínio Coelho (1955-59).

É sabido que a administração destes governantes começava a revitalizar o Estado, em especial a Capital. Por isso, entendo que o artigo jornalístico traz muito pouco a acrescentar à vida da primitiva Vila Municipal.


EM DIA da semana passada a reportagem da A Crítica fez uma visita ao bairro de Adrianópolis, com o objetivo de auscultar as necessidades de seus moradores, que hoje somam milhares, pertencentes às mais diferentes classes sociais. Para começo de conversa devemos dizer de nossa luta e a extrema paciência que tivemos de pôr em uso, a fim de que tomássemos um coletivo que nos transportasse àquele futuroso e hoje desenvolvido bairro. Bairro que tem o nome de um cidadão dos mais dignos de nossa terra, esse que se chamou Adriano Jorge, médico ilustre e tradicional, jamais esquecido pelos manauenses que amam sua terra. No “Tabuleiro da Baiana”, tivemos que esperar uma eternidade pela chegada do único ônibus que, pela manhã, fazia aquela linha e pessoas que ali estavam com o mesmo objetivo, começaram a dar-nos os primeiros informes que necessitávamos para esta pequena reportagem.

UM INFERNO QUE PODERIA SER UM PARAÍSO

Depois de quase uma hora do espera, enfim veio chegando o velho carro de transporte coletivo com a placa “Adrianópolis”. A custo de muito esforço e algumas pisadelas e empurrões (pois pessoas mal-educadas e nervosas há em toda parte, muito especialmente nos pontos de espera de ônibus) conseguimos — o repórter de A Crítica, e nossos amigos ocasionais — tomar assento no velho ônibus, o qual saiu, resfolegando, pela avenida 7, rumo àquele distante bairro. O carro, não é necessário dizer, ia completamente lotado. Gente de todas as cores, de todos os tamanhos, com os mais diversos pensamentos, mas todos com uma só vontade na mente — chegar logo ao ponto do seu destino. Esse também era o pensamento do nosso repórter, pois o tempo urgia para outros trabalhos na redação.
Fomos, então, mesmo durante a viagem, tomando conhecimento das necessidades urgentes de Adrianópolis. Dentre elas, pudemos verificar que as mais prementes são, exatamente, o transporte e... a buraqueira existente nas suas ruas e praças, conforme mais tarde iriamos verificar. “Adrianópolis, meu caro repórter, dizia-nos um morador que conosco viajava, é um bairro que podia ser um céu, pois considero-o um dos mais bem localizados e, portanto, o bairro de maior futuro de nossa terra”. Infelizmente tal não acontece, e isso por diversos motivos: não temos um mercado, uma farmácia, a água é pouca e então quando se fala em transportes a coisa é de estarrecer e da gente ficar mudo e vermelho de raiva. Isso significa que, em vez de morar no céu, moramos no inferno.

RUAS BONITAS, COM RESIDÊNCIAS SUNTUOSAS
Verificamos que as queixas dos nossos amigos eram mais que verdadeiras, tinham sua perfeita razão de ser. Vimos isso logo que ali chegámos. Adrianópolis é, de fato, um bairro que faz honra à memória do Dr. Adriano Jorge. Casas residenciais luxuosas e ultramodernas, destacando- se as que ali mandaram construir o capitalista João Braga, Drs. Heraldo Corrêa, Waldir Vieiralves, João de Paula Gonçalves etc., além de ostentar belíssimos prédios de colégios famosos como o Instituto Montessoriano Álvaro Maia, o colégio dos padres capuchinhos de Milão, e o novíssimo Colégio Ida Nelson, dos missionários protestantes — Adrianópolis, em seu conjunto, apresenta um aspecto, realmente, que faz inveja ao próprio centro.


O traçado das ruas é bem feito, denotando o bom gosto de quem o fez, devendo ser ressaltada, neste particular, a obra de Deodoro Freire, um dos pioneiros adrianopolinos. Observa-se contudo, que o desleixo dos poderes competentes é a única nota destoante.
Esses poderes competentes são, evidentemente, a Prefeitura, a Inspetoria do Tráfego e talvez Departamento de Estrada de Rodagens, pois tudo ali é buraco, é capim solto e grande pelo meio das ruas e praças; é lama e, acima de tudo isso, o mais absoluto desprezo pelos interesses das classes menos favorecidas, no que toca nó problema do transporte. (...)

OS POBRES VÊM À CIDADE A PÉ

Uma grande parte dos moradores de Adrianópolis, a gente pobre, operários, comerciários etc., ás vezes que são obrigados a descer para a cidade andando nos seus próprios calcanhares.
A viagem é longa, como todos sabem, mas essas pessoas são obrigadas a assim procederem porque os ônibus que fazem aquela linha primam pela ausência nas horas mais necessárias ao trabalho da daquela gente, que são as horas da manhã, cedinho, e ao cair da tarde (ou da noite), quando todos regressam aos seus lares, após um dia de canseiras na luta pelo pão de cada dia. Um autêntico martírio, senhores que comandam a vida da nossa cidade, senhor Prefeito, Sr. Inspetor do Tráfego, Sr. Governador.
Por que não se toma uma providência em benefício daquela boa gente de Adrianópolis? Por que? Será que só tencionam fazer tal coisa quando se aproximarem as eleições? O povo de lá é que se pergunta isso, pois o povo, devemos dizer, está escabriado, não acredita em mais nada, tais e tantas foram as promessas que ouviu dos atuais detentores do poder — tudo meras palavras que o vento levou, e nada feito até hoje, as coisas piorando sempre, na falta de transporte, na limpeza, na ausência de um mercado, de uma farmácia o outras coisas essenciais a uma coletividade que se preza.
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Aí fica, portanto, o apelo que fazemos em nome dos moradores do bairro de Adrianópolis, esse futuroso e encantador (???) recanto de nossa cidade, preferido pelos homens abastados para construírem suas moradias suntuosas — mas que muitas vezes também os desanimam porque a lama, o mato e os buracos os impedem de ali chegar, dirigindo seus carros de transporte pessoal.
Quanto aos transportes coletivos, a miséria é aquilo que contamos: um único ônibus, velho e pachorrento, para uma população inteira; sendo que este mesmo “um” ameaça para, tal o estado das ruas e praças que têm de atravessar, quebrando-lhe as molas, furando-lhe os pneus.

Providências, senhores, é o que pede o povo de Adrianópolis

12 de novembro de 2017

PMAM: TREINAMENTOS

Como se tratam de jovens policiais militares, não disponho de legendas
Se alguém puder contribuir com a identificação, aguardo contato