CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, setembro 15, 2010

CINEMAS DE MANAUS (III)


Cinema Avenida

Ed Lincon

Na avenida Eduardo Ribeiro, junto ao “Canto das Novidades”, de Andrade, Santos & Cia. (onde estiveram, pela ordem, o Bar Americano, a agência do Credireal de Minas Gerais e, atualmente, a loja C & A), funcionou de 28 de novembro até o início de dezembro de 1909, a sala de exibição denominada Cinema Avenida.


Três anos depois, na mesma avenida, ao lado do “Restaurant Français” (mais tarde Bar e Sorveteria Avenida e, atualmente, agência do Bradesco), a 20 de outubro, foi inaugurado o segundo Cinema Avenida, de J. Moraes & Cia., com orquestra regida por Landry, Campos e Pagani. Assim como o antecessor, também este teve existência meteórica, ao fechar definitivamente em janeiro de 1913.


Cine Avenida, anos 1940
Somente em 1935, Antonio Lamarão e Aurélio Antunes fundaram a empresa Cinema Avenida Ltda. A empresa logo adquiriu o edifício nº 427 desta avenida, onde funcionara entre 1926-1934 a “Manáos Arte”, de J. G. Araújo (casa especializada na venda de artigos fotográficos, projetores, bicicletas, pneus e representação dos automóveis Willys), para nele instalar a sala de cinema Avenida.


A 1º de dezembro, a firma inicia as obras de reforma e adaptação do edifício, procurando dotá-lo de luxo e conforto. A pré-inauguração ocorreu na noite de 26 de março de 1936, em sessão especial para a imprensa e autoridades. Na ocasião, foi exibido o filme americano Voando para o Rio, estrelado pela atriz mexicana Dolores Del Rio, Fred Astaire e Ginger Rogers.


Equipado com “moderno” sistema de projeção, que combinava som e imagem, o Avenida foi o segundo (Alcazar, o primeiro no início dos anos 1930) a usar esse processo, denominado de Movietone. Dispunha de 642 lugares e, na estréia em 27 de março, cobrou o ingresso a 3$200 (três mil e duzentos réis). Já em maio, a empresa inaugurava ao lado da Igreja de São Raimundo, o Cine Paroquial, também conhecido como “Cine São Raimundo”.


Dona Yayá, 1942
Logo denominado pelos jornais de “o cinema da elite manauense”, o Avenida tornou-se o favorito das famílias abastadas de Manaus. Outro detalhe singular marcou essa casa: a presença do proprietário, Aurélio Antunes, acompanhando o movimento da bilheteria, e mais destacada a de sua esposa, Maria Amélia Cezar Antunes. Dona Yayá, como era conhecida, usava quase sempre vestidos floridos e os longos cabelos negros amarrados em coque. Por isso, tornou-se a atração: pelo trajar espetaculoso e pela excessiva maquiagem no rosto.


Yayá costumava descrever trechos do filme em exibição, com o intuito de atrair os espectadores. Ao lado do marido, manteve-se à frente do cinema Avenida até o começo dos anos 1970, quando o mesmo encerrou as atividades. O falecido senador Jefferson Peres (1932-2008), em seu livro Evocação de Manaus, traça luminoso perfil dessa personagem.


Para comemorar o primeiro aniversário, o Avenida exibiu dois filmes distribuídos pela R.K.O. Rádio Pictures do Brasil: Os últimos dias de Pompéia e O Picolino. Este, um musical estrelado pela dupla de atores-bailarinos Fred Astaire e Ginger Rogers.

Em setembro de 1937, informava o Diário Oficial que a empresa solicitara ao Governo o arrendamento de um terreno no bairro de Educandos. Situado nas proximidades da conhecida Baixa da Égua, destinava-se à construção de um cinema (no local iria funcionar mais tarde o Cine Vitória).
Adriano Bernardino, 1958


No final de 1937, retirou-se da empresa o sócio-fundador Antonio Lamarão, e foi substituído por Antonio Relvas Júnior e Adriano Bernardino. Nesse mesmo ano, a empresa passou a fornecer filmes para o vizinho município de Itacoatiara. E, no ano seguinte, a mesma arrenda o prédio onde funcionara o cine-teatro Alcazar, que o reforma e realiza sua nova inauguração a 6 de agosto, agora com a denominação de Cine-Teatro Guarany.



Em 1942, Adriano Bernardino assume o controle majoritário da Empresa Cinema Avenida Ltda., alterando a razão social para Empresa de Cinemas A. Bernardino & Cia. Ltda. (segue)

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